Friday, November 24, 2006

Palavras, palavras...



Viste!
Depois que muito debatestes...
Cansada estás a ficar
De tanto ter que explicar!
De tanto ter que provar!
De tanto ser interpretada
Posta em dúvida...vasculhada...
Cansada estás...
De dar a quem não merece
De quem não tem coragem
De assumir o que acontece!
Por quê deves se envergonhar?
Se nada fizestes para se desfigurar
Não fostes infiel, não fostes o fel
Não fostes a derrocada
Fostes apenas a parte prejudicada...
Que fizestes afinal?
Fizestes algo na intenção do mal?
Com o vento comprometida
Com o nada amarrada
Fostes égua que passou encilhada
Tsk,tsk, pobre coitada...
Por cavaleiro laçada!
Não sabias dócil eqüina?
Perigoso é saltitar livremente
Em terreno onde dá serpente?
Vai-te agora, sem espora
Não te cause mais dor
Vê se aprende de uma vez
Que não há o tal do amor!
Tudo é jogo de conveniências
De perdas e ganhos
Onde a doçura é a derrota
A ingenuidade é a presa
Num mundo que mentiras arrota
Artimanhas e sapiências
Assim é o reino das aparências!
Vai pro seu lado égua perdida
Esperar de Deus consolação merecida...
Salmoura para o lombo em dor...
Passa-te pela cancela aberta
Ainda te resta o consolo
De saber que sobre o amor
Sempre estivestes certa!!!


"Imprevistos"

Imprevisto
Tudo o que não se quer ver acontecer
O vinho tinto derramado no vestido branco
O jogador predileto machucado no banco
É marcar um gol contra
Perder um pênalti...
Um plano vazado, por revés revelado
Objeto errado no lugar errado
Imprevisto
Perder algo que nunca se esquece
Porque desta vez se esqueceu
Imprevisto
Amar demais sem lembrar
Que podia não se estar sendo amado
Depositar ouro
No refil da prata
É o que mata
O que não podemos controlar
Por mais que tentemos evitar...
Mas o pior de tudo
É ser cobrado
Por quem não viu
Despedaçado
E você fica acabado
Largado
Ao sol torrado
Sem ter nunca
Nenhum mal desejado...

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